jornal plural do agrupamento de escolas dr. manuel laranjeira

João Paulo Reis, professor de Português

Praia preferida

Cacela Velha, no sotavento algarvio, é um daqueles lugares que, mesmo visitados por multidões, não perde a beleza bravia e natural. É uma praia que se move consoante as correntes e a maré: é a natureza em ação, da forma mais pura possível. E, ao fim do dia, do alto da aldeia, ao assistir ao pôr do sol sobre o areal, a paisagem torna-se uma “metáfora da felicidade”.

Viagem de sonho

A eterna Itália. Desde as suas ruínas, que são os vestígios materiais e efémeros de um império e de uma civilização que, outrora, se julgou eterna, ao espírito aguerrido do povo italiano – tal como nos mostrou Roberto Rossellini, na belíssima obra “Roma, cidade aberta”. E, claro, por todas as praias que se estendem pela costa italiana. Enfim, Itália será sempre um dos berços da cultura ocidental e uma viagem que guardo comigo.

Local de eleição

Miradouro de S. Leonardo de Galafura. Escolho este local não só por sentir que é uma espécie de regresso às origens, mas porque, tal como afirmou Miguel Torga, num dos seus Diários, o miradouro “não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza”.

Livro que nunca esqueci

Selecionar uma obra dentro da nossa biblioteca pessoal é sempre tarefa difícil, por isso, para facilitar a seleção, tentei associar determinadas obras às emoções que me despertaram no momento da leitura, pois “[o] que nos fica de um livro ‘bem escrito’ é essa emoção que já não lembra as palavras e vive por si” (Conta-Corrente 4, Vergílio Ferreira). Manhã Submersa, deste mesmo autor, marcou uma adolescência tão isolada como a do protagonista. Os cus de judas, de António Lobo Antunes, pela abordagem crua da guerra colonial, temática que o autor retoma, magistralmente, no recente Até que as pedras se tornem mais leves que a água. O Amante, de Marguerite Duras, obra que triunfa na transfiguração e intelectualização dos elementos autobiográficos da autora. A Mancha Humana, de Philip Roth, A Estrada, de Cormac McCarthy, bem como as recentes descobertas da obra de Javier Marías e Karl Ove Knausgard. Por fim, a obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen e a de Maria do Rosário Pedreira, cujos versos fazem “de guarda aos pesadelos” e as revelações de Valter Hugo Mãe, Dulce Maria Cardoso, Ana Margarida de Carvalho e José Riço Direitinho.

Cantor (ou grupo ou evento musical) especial

Leonard Cohen é um dos artistas do mundo da música que mais me marcou, que tive oportunidade de ouvir ao vivo numa das vezes que esteve em Lisboa, e a leitura da sua recente biografia, I’m Your Man, de Sylvie Simmons, fez-me acreditar num homem que cantou brilhantemente a sua própria vida. Seguem-se o glorioso Nick Cave e a sublime Patti Smith, dois artistas que acompanho desde que me lembro: o primeiro pela forma como se reinventa a cada álbum e a segunda pela honestidade artística do seu trabalho. Da música feita em Portugal, ouço The Legendary Tigerman e Mazgani.

Tempo livre muito bem passado.

Ler um bom livro e passear à beira mar. Ver e rever filmes é, também, uma das atividades que mais gosto de fazer, como clássicos do cinema japonês, nomeadamente, Ran- Os senhores da guerra, de Akira Kurosawa, ao cinema contemporâneo de Woody Allen, desde o clássico Annie Hall, ao “jackpot neurótico” de Manhattan Murder Mystery, ao emocionante Match Point. Ver qualquer filme de Martin Scorsese – em especial A Idade da Inocência – e de Francis Ford Coppola é sempre uma boa maneira de passar um serão.

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