jornal plural do agrupamento de escolas dr. manuel laranjeira

Educação Visual – E@D

Quisemos saber como decorreu o ensino/aprendizagem em Educação Visual e, para isso, ouvimos a professora Paula Melo, que leciona esta disciplina, no 3º ciclo.

Quisemos saber como decorreu o ensino/aprendizagem em Educação Visual e, para isso, ouvimos a professora Paula Melo, que leciona esta disciplina, no 3º ciclo.

 

Como foi a experiência da prática letiva da disciplina de Educação Visual nesta nova realidade?

Educação Visual é uma disciplina eminentemente prática. Com a experiência do confinamento anterior, aprendi que não posso desenvolver todo o tipo de competências nem posso esperar a aprendizagem de conteúdos que decorrem do acompanhamento presencial. Além disso, percebi como é ineficaz a simulação de aulas presenciais.
Nestas aulas, parece que o modelo expositivo é preponderante, mas este tem um interesse muito limitado quando falamos de Educação Visual, Oficina de Artes ou Desenho A, disciplinas que leciono. No Teams, plataforma utilizada pelo Agrupamento, apresentei propostas de trabalho simples que tencionavam conduzir à resolução de problemas de comunicação visual, exibindo opções estéticas e de representação, que implicam a comunicação de uma mensagem visual. Apostei, sobretudo, em soluções onde o trabalho autónomo era fundamental.
No contexto atual, procurei incentivar o “aprender, fazendo”, colocando desafios aliciantes e divertidos. Sem respostas certas, o importante era motivar os alunos a resolverem os problemas, através de uma narrativa visual pessoal, advinda das suas vivências, das suas experiências e cultura visual.
Como docente, devo referir que o modo organizado como o grupo disciplinar procedeu deu consistência e sentido ao trabalho desenvolvido, tendo sido crucial o intenso processo de diálogo formal e informal entre professores.

Quais os desafios que se colocaram?

O grande desafio foi como chegar ao aluno e tornar a aprendizagem em algo motivador e efetivo. Seguiram-se outros: como reduzir, no aluno, o medo de errar e fazê-lo acreditar que o esforço vale sempre a pena; como conseguir que todos os alunos percebessem os conteúdos e gostassem das aprendizagens, mesmo não estando em igualdade de circunstâncias; quais as melhores opções a tomar na criação de propostas de trabalho autónomo para grupos tão heterogéneos como são as várias turmas. Mas o meu desafio pessoal centrou-se na reflexão sobre como podia fazer melhor e como chegar aos alunos que estavam mais “longe”.

Quais as dificuldades sentidas?

O meu conhecimento sobre Internet, adquirido de forma autodidata, é escasso, o que dificultou bastante a minha ação. Dado que, de um momento para o outro, ficamos totalmente dependentes da Internet e dos recursos que ela disponibiliza, o ensino tornou-se mais complexo. Tudo demorou muito mais tempo, quer a preparação didático-pedagógica, quer a criação de materiais, quer ainda a parte burocrática do trabalho docente. Este aumentou bastante e a necessidade de frequência de formação também.

Quais os aspetos positivos?

A colaboração entre colegas do grupo (divisão de tarefas, harmonização de procedimentos) foi muito boa.
Outro ponto positivo foi a descoberta de várias ferramentas web, de apoio ao professor.
Finalmente, devo dizer que fui agradavelmente surpreendida por alguns alunos que, sendo mais passivos em sala de aula, responderam com muito entusiasmo aos desafios propostos e procuram responder-lhes com qualidade.

Como avaliar de forma justa os alunos?

Na minha perspetiva, este é um ponto muito sensível. As condições de trabalho dos alunos não eram as mesmas, estando alguns altamente condicionados por privações de hardware e software, assim como por fraca ligação à internet, o que os colocou num ponto de partida já injusto. Assim, em Educação Visual, tive em conta a motivação e planeei atividades de aprendizagem centradas em capacidades e não tanto em conteúdos. Valorizei a evolução dos alunos, incitando-os a fazer sempre melhor, tentando minimizar os eventuais efeitos negativos e injustiças da avaliação no E@D.

Que implicação terá este sistema de E@D na aprendizagem?

Como não houve oportunidade para atenuar as desigualdades tecnológicas que se continuam a fazer sentir, os alunos menos favorecidos ficaram mais penalizados a nível das aprendizagens e do cumprimento das tarefas. Acresce ainda o facto de, em alguns, ter surgido um sentimento de “não consigo”, que poderá acarretar um custo emocional do qual não adivinho as consequências futuras.
No entanto, vendo o lado positivo da situação, posso dizer que, neste segundo confinamento, mesmo os alunos mais frágeis revelaram uma atitude mais positiva, de maior interesse.

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