jornal plural do agrupamento de escolas dr. manuel laranjeira

Ex-alunos

Olá, caros “Laranjas”, chamo-me Rosa Seixas, tenho 18 anos e fui estudante da “nossa” escola. Este ano letivo, ingressei no curso de Medicina da Universidade de Coimbra.

Os tempos pandémicos que vivemos afetam a vida de todos e os estudantes universitários não são exceção, especialmente nós, os caloiros. Num período “normal”, já nos teríamos de adaptar a toda uma nova realidade, a este grande salto que se dá do secundário para a faculdade. No entanto, estas imposições de distanciamento social e de a maioria das aulas decorrer por via remota, a ausência de todo o espírito académico e o cancelamento da Praxe (fundamental para a integração) tornam a adaptação mais difícil: sentimo-nos mais sozinhos, mais inseguros e falta-nos uma rede de apoio que, normalmente, construímos com o convívio com os demais colegas. Mas não podemos desanimar!

Embora estes tempos não sejam os ideais, há sempre alguém que está disposto a dar-nos a mão. Se, em anos normais, ouvíamos frequentemente a célebre frase “O curso não se faz sozinho”, este ano ouvimo-la mais que nunca. No meu caso em particular, nas primeiras semanas de outubro, antes do agravamento da Covid-19 no nosso país, tive a oportunidade, cumprindo todas as normas, de estabelecer um contacto mais direto com alguns colegas, do meu ano e mais velhos, que me deram algumas “luzes” de como me organizar neste novo percurso. Ao longo do semestre passado, a comissão de Praxe também organizou algumas atividades e uma reunião (sempre online), que serviram como uma espécie de “terapia”, ou seja, mostraram-nos que não estávamos sozinhos e que, na maioria das vezes, o que os outros sentem é o mesmo que nós (não estamos sozinhos na “luta”).

Além disso, aderi a um projeto desenvolvido pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra (NEM/AAC), chamado “Hospital do Ursinho”, que visa “diminuir os medos da criança face aos cuidados de saúde e procedimentos terapêuticos, através da recriação de consultórios, de um bloco operatório e outras infraestruturas criadas à escala dos pequeninos”.

A adesão a projetos permite-nos conhecer pessoas e novas realidades, ajuda-nos a compreender o meio em que estudamos e, consequentemente, facilita a nossa adaptação.

Como recente e ainda inexperiente estudante universitária que sou, os conselhos que posso dar àqueles que tencionam ingressar no Ensino Superior são: descobrir aquilo que realmente vos dá alento, sem vergonha ou receio; contactar com os demais (é difícil, neste momento, mas existem sempre alternativas); ajudar e ser solidário com o Outro, porque um dia também poderão precisar de ajuda; e, finalmente, o mais importante: aproveitem o Presente, tenham objetivos, mas não permitam que eles vos sufoquem, que eles vos limitem, aproveitem ao máximo o vosso 12º ano e, em especial, o verão entre o secundário e a faculdade (de acordo com a situação em que se encontrar o país, claro), (re)descubram-se, sintam-se livres e genuinamente felizes.

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